Direito CriminalPimentel França Advogados11 de julho de 20268 min de leitura

Justiça direito multar: por que juízes não podem punir advogados por abandono de causa

Entenda por que, em regra, a Justiça não pode multar pessoalmente advogados por abandono de causa e quais são os caminhos corretos na esfera criminal.

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Justiça direito multar: por que juízes não podem punir advogados por abandono de causa

No debate público e nos tribunais, a pergunta recorrente é: a justiça direito multar advogados por abandono de causa? Em termos práticos, a resposta é que, como regra, o Judiciário não deve impor multa pessoal ao advogado por essa conduta, pois a disciplina profissional é atribuição da OAB. Além disso, no processo penal, o abandono precisa ser cuidadosamente distinto da renúncia regular, sob pena de nulidades graves e prejuízo à ampla defesa. Este artigo explica, com linguagem acessível e sólida base legal, quando a justiça direito multar poderia ser cogitada, o que realmente diz a lei e quais providências corretas devem ser adotadas.

Importante: o conteúdo a seguir é informativo e não substitui a consulta personalizada a um advogado. Em situações concretas, busque orientação técnica.

O que é “abandono de causa” no processo penal

Abandono de causa ocorre quando o advogado simplesmente deixa de atuar no processo sem justo motivo e sem observar as regras de comunicação e transição. Em Direito Criminal, isso é especialmente sensível, porque o réu pode ser julgado e ter sua liberdade afetada. Por isso, antes de discutir se a justiça direito multar é cabível, é indispensável separar abandono de renúncia.

A renúncia é o ato formal pelo qual o advogado informa que não continuará no caso. A legislação determina que o cliente seja comunicado e que o advogado atue por um período razoável de transição, para que outro patrono assuma a defesa, evitando prejuízos. Quando essas exigências são cumpridas, não há abandono, e falar em justiça direito multar o advogado não se sustenta.

Justiça direito multar: o que a lei realmente diz

A disciplina da advocacia é tratada, sobretudo, no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), que estabelece direitos, deveres e infrações disciplinares. Em regra, quem apura e aplica sanções por condutas profissionais do advogado é a OAB, e não o juiz do caso. Portanto, pensar em justiça direito multar diretamente o advogado por abandono esbarra nessa competência institucional.

Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia), art. 5º, § 3º: o advogado pode renunciar ao mandato a qualquer tempo, mediante notificação ao cliente, permanecendo responsável por atuar por determinado período para que o mandante não fique desassistido.

Assim, cumpridas as formalidades de renúncia e transição, não há abandono. E, mesmo quando há indícios de falta disciplinar, a providência adequada não é a justiça direito multar o advogado, e sim comunicar a OAB para apuração.

Para conhecer o Estatuto da Advocacia, acesse a versão oficial: planoalto.gov.br — Lei 8.906/1994.

Martelo do juiz sobre a mesa do plenário do tribunal
Martelo do juiz sobre a mesa do plenário do tribunal

CPP, art. 265, e a controvérsia sobre multas ao defensor

No processo penal, existe uma particularidade: o art. 265 do Código de Processo Penal (CPP) prevê multa ao defensor que abandona o processo sem motivo imperioso e sem comunicação prévia ao juiz. A partir disso, surgiu a discussão: haveria justiça direito multar pessoalmente o advogado nesses casos?

CPP, art. 265: o defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso, comunicado previamente ao juiz, sob pena de multa, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.

Essa regra deve ser lida em harmonia com a Constituição (art. 133, que assegura a indispensabilidade e a inviolabilidade do advogado) e com o Estatuto da Advocacia, que disciplina a atuação profissional. Por isso, os Tribunais Superiores têm reiterado, em diversos precedentes, que sanções disciplinares são da OAB e que multas pessoais ao advogado exigem previsão legal estrita, fundamentação concreta e demonstração de dolo ou fraude. Sem isso, falar em justiça direito multar o patrono afronta o devido processo legal.

Na prática, mesmo diante do art. 265, os tribunais têm limitado sua aplicação: quando a conduta do advogado se confunde com renúncia devidamente comunicada, com motivo justificado (doença, impedimento, quebra de confiança) e atuação no período de transição, não há abandono. Logo, não se sustenta a tese de justiça direito multar nesses cenários.

Por outro lado, se comprovado abandono deliberado, com prejuízo à marcha processual, o juiz pode tomar providências voltadas à proteção do processo e do réu (nomeando defensor, reabrindo prazos), além de comunicar a OAB para apuração. A imposição de multa pessoal, porém, deve ser excepcional, estritamente fundamentada e compatível com as garantias da advocacia — e o debate jurisprudencial segue circunscrevendo essa possibilidade. Consulte a lei no portal oficial: planoalto.gov.br — Código de Processo Penal.

Como o juiz deve agir diante da renúncia ou ausência do advogado

Quando surge a notícia de renúncia ou a ausência do patrono, o foco do Judiciário deve ser a continuidade regular do processo, sem violar a ampla defesa. Antes de cogitar justiça direito multar, o caminho correto é assegurar representação técnica ao acusado e preservar a validade dos atos.

  • Intimar o réu para constituir novo advogado em prazo razoável.
  • Nomear defensor ad hoc para o ato, se necessário, ou acionar a Defensoria Pública.
  • Reabrir prazos essenciais quando houver prejuízo comprovado à defesa.
  • Comunicar a OAB se houver indícios de falta disciplinar, evitando confundir disciplina profissional com poder sancionatório judicial.
  • Fundamentar de modo preciso qualquer medida restritiva de direitos, inclusive para afastar, quando for o caso, o discurso fácil de justiça direito multar.

Dessa forma, preserva-se o processo, o direito de defesa e o devido processo legal, ao mesmo tempo em que se respeita a competência da OAB para eventual apuração disciplinar.

Advogado revisando documentos jurídicos em seu escritório
Advogado revisando documentos jurídicos em seu escritório

Boas práticas para advogados evitarem problemas

Advogados que atuam em casos criminais devem adotar medidas preventivas para que não pairem dúvidas sobre abandono e para neutralizar qualquer tentativa de justiça direito multar indevidamente.

1) Renúncia bem formalizada

Notifique o cliente por escrito (comprovando o recebimento) e peticione nos autos, informando a renúncia. Sempre que possível, atue pelos próximos 10 dias ou até que novo patrono assuma, conforme boa prática reiterada. Com isso, a narrativa de justiça direito multar perde sentido.

2) Justo motivo e documentação

Se houver motivo imperioso (doença, impedimento ético, quebra de confiança), junte documentos que fundamentem a saída. A transparência inibe leituras equivocadas e rechaça pretensões de justiça direito multar por suposto abandono.

3) Comunicação cooperativa com o juízo

Avise com antecedência sobre a impossibilidade de comparecimento a atos, proponha redesignação e registre alternativas para evitar adiamentos. Essa cooperação processual é valorizada e afasta a pecha de abandono, reduzindo o risco de iniciativas de justiça direito multar.

4) Atualização cadastral e canais abertos

Mantenha e-mails, telefones e endereços atualizados nos autos. Se o cliente estiver em local incerto, documente tentativas de contato. Quanto maior a rastreabilidade, menor a chance de alegações de abandono e de invocação da justiça direito multar.

O que o cliente pode fazer se o advogado sumiu

Se você é réu em processo penal e sente que ficou desassistido, algumas medidas rápidas podem proteger seus direitos e neutralizar prejuízos, sem depender da ideia de justiça direito multar o profissional.

  1. Tente contato por todos os meios razoáveis (e-mail, telefone, WhatsApp). Guarde os registros.
  2. Procure outro advogado para assumir imediatamente e pedir vista dos autos e reabertura dos prazos afetados.
  3. Informe o juiz por petição simples sobre a ausência de defesa, requerendo nomeação de defensor ad hoc ou a atuação da Defensoria Pública, se necessário.
  4. Comunique a OAB do seu estado, caso suspeite de falta disciplinar, para apuração nos canais próprios — em vez de esperar que a justiça direito multar resolva a situação.

Esses passos costumam ser céleres e eficazes para resguardar a ampla defesa, mais do que qualquer aposta em justiça direito multar.

Perguntas frequentes (FAQ)

O juiz pode multar o advogado por abandono de causa?

Em regra, a disciplina profissional é da OAB, não do juiz. No processo penal, o CPP tem previsão específica (art. 265), mas sua aplicação é restrita, exige motivo concreto e respeito à inviolabilidade e à ampla defesa. Sem isso, a tese de justiça direito multar o advogado não se sustenta.

Qual a diferença entre renúncia e abandono?

Renúncia é a saída formal do advogado, com comunicação ao cliente e período de transição. Abandono é a inação sem justificativa e sem cumprir essas etapas. Na renúncia correta, não há espaço para falar em justiça direito multar.

O réu fica sem defesa se o advogado renuncia?

Não deve. O juiz deve assegurar nova representação (nomear defensor ad hoc ou chamar a Defensoria) e, se houver prejuízo, reabrir prazos. O centro do sistema não é a justiça direito multar o advogado, mas garantir defesa efetiva.

Já foi aplicada uma multa ao meu advogado. O que fazer?

É possível impugnar a decisão, demonstrando a renúncia regular, a inexistência de dolo ou o motivo imperioso. Muitas decisões afastam penalidades pessoais sem base concreta. A estratégia correta supera a narrativa de justiça direito multar e recoloca o foco na defesa.

Conclusão e próximos passos

Em síntese, a discussão sobre justiça direito multar advogados por abandono de causa precisa ser colocada no lugar certo: a OAB é responsável pela disciplina profissional, e o Judiciário deve priorizar a proteção do processo e da ampla defesa. No âmbito penal, o art. 265 do CPP é interpretado de forma estrita, e multas pessoais só se admitem com previsão legal, prova robusta e fundamentação qualificada — o que é excepcional. O caminho mais eficaz, para advogados e clientes, é cumprir formalidades, cooperar com o juízo e, quando for o caso, levar a apuração disciplinar à OAB.

Se você enfrenta uma situação envolvendo possível abandono de causa, multa judicial ou risco de nulidade no processo penal, converse com a equipe do Pimentel França Advocacia (Barra da Tijuca, Rio de Janeiro). Nossa atuação é estratégica e focada em resultados práticos.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um advogado habilitado.

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#Direito Criminal#OAB#Processo Penal#Advocacia
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Sobre o autor

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Advogado especialista do escritório Pimentel França Advogados Associados. Atuação em Direito Penal, Cível e Trabalhista no Rio de Janeiro.

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