Carregando... . . .
Direito à Saúde Planos de Saúde HPB e Urologia

Plano de saúde deve cobrir a embolização da próstata?

Entenda quando o convênio é obrigado a custear a embolização prostática para hiperplasia benigna da próstata (HPB), o que fazer diante da negativa e como buscar o tratamento com segurança.

A recusa de cobertura pode ser considerada abusiva. Em muitos casos, uma ação judicial com pedido de liminar garante o procedimento em poucos dias.

1. O que é a embolização da próstata e quando ela é indicada?

A embolização das artérias da próstata é um procedimento minimamente invasivo utilizado para tratar a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), aumento não cancerígeno da próstata que pode causar dificuldade para urinar, jato fraco, vontade de urinar várias vezes à noite, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, entre outros sintomas.

O procedimento é realizado por radiologista intervencionista, geralmente sob anestesia local e sedação. Um cateter é introduzido por uma artéria (normalmente na virilha ou no punho) até chegar às artérias que irrigam a próstata. Em seguida, são injetadas micropartículas que reduzem o fluxo de sangue, levando à diminuição do volume prostático e à melhora dos sintomas urinários.

1.1 Principais benefícios da embolização da próstata

  • Procedimento minimamente invasivo, sem cortes na próstata e, em geral, sem necessidade de internações prolongadas.
  • Recuperação mais rápida em comparação com cirurgias tradicionais de ressecção da próstata.
  • Menor risco de sangramento e de complicações em pacientes idosos ou com outras doenças associadas.
  • Preservação, em muitos casos, da função sexual e urinária, com menor risco de incontinência urinária e disfunção erétil em relação a cirurgias mais invasivas.
  • Opção para pacientes que não toleram ou não responderam bem a medicamentos para HPB.
Importante: a indicação da embolização deve sempre partir do médico assistente, após avaliação clínica, análise de exames e discussão de alternativas terapêuticas. Em muitos casos, a embolização é indicada justamente quando o paciente deseja evitar cirurgias mais agressivas ou apresenta maior risco cirúrgico.

1.2 Custo do procedimento e impacto para o paciente

No Brasil, o custo da embolização da próstata em ambiente privado pode facilmente ultrapassar dezenas de milhares de reais, considerando equipe especializada, materiais específicos e estrutura hospitalar. Por isso, para a maior parte dos pacientes, a cobertura pelo plano de saúde é fundamental para viabilizar o tratamento.

Consulta médica urológica para embolização da próstata com cobertura de plano de saúde
Cobertura de plano de saúde para procedimento de embolização da próstata

2. Por que muitos planos de saúde negam a embolização da próstata?

Apesar de ser um procedimento reconhecido pela comunidade médica e com estudos científicos favoráveis, é comum que operadoras de planos de saúde negarem a autorização para a embolização da próstata. Entre as justificativas mais usadas estão:

2.1 "O procedimento não está no Rol da ANS"

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publica o chamado Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que estabelece a cobertura mínima obrigatória dos planos. Ainda que o Rol funcione como referência principal, o entendimento atual da Justiça é que ele não pode ser aplicado de forma cega para impedir tratamentos necessários e bem fundamentados.

Entendimento predominante: o Rol da ANS é, em regra, um parâmetro técnico, mas pode ser mitigado quando há indicação médica fundamentada, respaldo científico e inexistência de alternativa eficaz disponível na rede do plano.

2.2 "O procedimento é experimental ou inovador"

A alegação de que a embolização da próstata seria técnica "experimental" costuma ser incorreta. O procedimento é descrito em diretrizes de sociedades médicas e já foi objeto de análise por órgãos reguladores, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a própria ANS, que avaliam evidências de eficácia e segurança.

Tratamento experimental é aquele que ainda não possui evidência científica mínima ou não foi validado por entidades reconhecidas. Não é o caso da embolização prostática, utilizada há anos em diversos países como alternativa segura para HPB.

2.3 "Existe tratamento convencional na rede"

Outra justificativa frequente é que o plano ofereceria cirurgia aberta ou outros métodos considerados "convencionais". No entanto, a Justiça tem reforçado que o plano de saúde não pode substituir a decisão técnica do médico que acompanha o paciente.

Ponto central: o plano pode limitar quais doenças são cobertas, mas não pode impor qual técnica ou via de acesso o médico deve utilizar, quando o tratamento indicado é compatível com a doença já coberta pelo contrato.

3. O plano de saúde é obrigado a custear a embolização da próstata?

Em grande parte dos casos, sim. Quando existe indicação médica detalhada para embolização da próstata, o plano de saúde tende a ser obrigado a custear o procedimento, desde que o contrato seja compatível com a natureza do tratamento (por exemplo, planos com cobertura hospitalar).

3.1 Elementos que reforçam o direito à cobertura

  • Doença coberta pelo plano: a hiperplasia prostática benigna é doença típica de cobertura obrigatória.
  • Indicação expressa do médico assistente, com relatório descrevendo quadro clínico, falha ou intolerância a tratamentos convencionais e justificativa para a embolização.
  • Evidências científicas que demonstrem eficácia e segurança do procedimento.
  • Reconhecimento por órgãos técnicos, como CFM, ANS, Conitec e sociedades de urologia/radiologia.
  • Ausência de alternativa equivalente na rede com o mesmo nível de efetividade e risco para aquele paciente específico.

Inclusive, normas da ANS preveem a cobertura de diversos tipos de embolizações terapêuticas em seu Rol, o que reforça o entendimento de que a técnica, em si, não é experimental. A discussão, na prática, gira em torno da forma como a operadora interpreta a indicação para HPB, o que vem sendo frequentemente revisto pelo Judiciário.

3.2 Entendimento dos Tribunais

Tribunais de Justiça em diversos estados vêm julgando que a embolização prostática deve ser coberta quando houver indicação médica e o paciente possuir plano com segmento hospitalar. Em decisões recentes, os julgadores destacam que:

  • a emulsão está alinhada ao conjunto de embolizações já previstas em normas da ANS;
  • a negativa baseada apenas em ausência de menção literal no Rol é abusiva;
  • a recusa injustificada viola o direito constitucional à saúde e à dignidade da pessoa humana;
  • em situações de urgência ou risco de agravamento, é cabível a concessão de tutela de urgência (liminar) para obrigar o plano a autorizar o procedimento rapidamente.
Cobertura de plano de saúde para procedimento de embolização da próstata

4. Recebi uma negativa de custeio. O que fazer na prática?

A negativa de cobertura costuma gerar insegurança e revolta, especialmente quando o paciente já está sofrendo com sintomas intensos. No entanto, é possível agir de forma estratégica para aumentar as chances de reversão, administrativa ou judicialmente.

4.1 Relatório médico completo e atualizado

Peça ao seu médico que elabore um relatório detalhado, de preferência em papel timbrado, contendo:

  • diagnóstico completo (HPB e eventuais complicações associadas);
  • histórico de tratamentos prévios e medicamentos utilizados, com resposta insuficiente ou efeitos colaterais relevantes;
  • descrição dos sintomas atuais e impacto na qualidade de vida (insônia, dor, infecções urinárias de repetição, retenção urinária, etc.);
  • indicação expressa da embolização das artérias da próstata como melhor opção para o caso;
  • justificativa clínica para a escolha da técnica em vez de cirurgias mais invasivas;
  • eventual urgência do procedimento.

4.2 Exija a negativa de cobertura por escrito

O plano de saúde é obrigado, pelas normas da ANS, a fornecer a negativa por escrito, com a justificativa utilizada. Guarde esse documento: ele será uma das principais provas em eventual ação judicial.

Atenção: a simples alegação de que o procedimento "não está no Rol da ANS" ou de que há outro tratamento convencional disponível não costuma ser suficiente para afastar o dever de cobertura quando a indicação médica é clara.

4.3 Busque orientação com advogado especializado

Com o relatório médico, exames e a negativa formal em mãos, o próximo passo é procurar um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde. Esse profissional poderá analisar o contrato, o histórico clínico e a urgência do caso para definir a melhor estratégia.

Em muitos casos, é possível ingressar com ação judicial com pedido de liminar, para que o juiz determine que o plano de saúde autorize e custeie a embolização da próstata em caráter de urgência, antes mesmo do fim do processo.

5. Documentos que normalmente são úteis para a ação judicial

Embora cada caso tenha particularidades, é comum que o advogado solicite os seguintes documentos para fundamentar a ação:

  • cópia do RG e CPF do paciente;
  • cartão do plano de saúde e comprovante de pagamento das últimas mensalidades;
  • cópia completa do contrato do plano (ou condições gerais) quando disponível;
  • relatório médico detalhado indicando a embolização prostática;
  • laudos de exames, ressonâncias, ultrassons, PSA e demais documentos clínicos relevantes;
  • negativa de cobertura por escrito emitida pela operadora;
  • comprovantes de eventuais gastos já realizados com consultas ou tentativas de tratamento;
  • se houver, orçamentos do hospital/clínica para realização do procedimento.

Quanto mais completa a documentação, maior a clareza para o juiz sobre a necessidade do tratamento e sobre a abusividade da recusa do plano.

6. Perguntas frequentes sobre embolização da próstata e plano de saúde

Planos antigos ou individuais também podem ser obrigados a cobrir?

Sim. Em regra, o que importa é se a doença está coberta e se há indicação médica fundamentada. Planos antigos, empresariais ou individuais podem ser obrigados a autorizar a embolização, mesmo que o procedimento não esteja descrito literalmente no contrato.

É preciso já ter tentado todas as outras cirurgias?

Não necessariamente. O médico assistente pode indicar a embolização como melhor opção logo de início, considerando idade, comorbidades, risco cirúrgico e preferência do paciente. O plano não pode forçar o paciente a se submeter a cirurgia mais agressiva se há alternativa eficaz e menos invasiva.

Quanto tempo demora uma liminar?

Em ações de saúde, não é incomum que decisões liminares sejam analisadas em poucos dias – às vezes em 24 a 72 horas, a depender do plantão e da urgência demonstrada. Por isso é tão importante um relatório médico bem fundamentado.

Posso fazer o procedimento particular e depois pedir reembolso?

Em algumas situações, especialmente quando há risco de agravamento rápido, o paciente acaba pagando o procedimento particular e, posteriormente, busca o reembolso na Justiça. Essa possibilidade existe, mas a estratégia deve ser avaliada com o advogado, considerando provas, urgência e condições financeiras da família.

Cada caso exige análise individual, considerando o contrato, o histórico do paciente e a documentação médica disponível. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta jurídica personalizada.

Precisa de ajuda para garantir a embolização da próstata pelo plano de saúde?

A equipe do Pimentel França Advogados Associados atua em processos de Direito Médico e da Saúde, auxiliando pacientes a obterem autorização de procedimentos, inclusive com pedidos de liminar.

📱

WhatsApp imediato

(21) 96442-7682

Envie seus exames e a negativa do plano para uma análise inicial.

📞

Central telefônica

(21) 3000-0212

Atendimento em horário comercial para esclarecimento de dúvidas.

✉️

E-mail

contatosfv@sfvadv.com.br

Envie a documentação do seu caso para avaliação jurídica.

Disponível agora

Consultoria Jurídica Especializada

Consultoria, Assessoria e Representação em todo Brasil. Fale com nossos especialistas.